Mostrar mensagens com a etiqueta Livre como eu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livre como eu. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Estou de volta: Life Update

 



Depois de largos meses ausentes daqui - acho que até criei uma espécie de ranço pela escrita, coisa que sempre me apaixonou e me pôs em contacto comigo mesma, inclusivé pela escrita física mesmo, em que muitas vezes tenho de me obrigar a fazê-lo (se bem que ultimamente decidi não me obrigar a fazer nada, nem isso :P ), estou de volta.

Life Update


Apaguei QUASE TODOS os posts deste blog, num dia em que senti que isso se podia virar contra mim (ou que eu me podia virar contra mim própria, de certa forma). Não vou entrar em detalhes, mas tudo o que aqui escrevi e escrevo vem de lugares internos muito íntimos meus, muito mesmo, e é a maior exposição e vulnerabilidade que tinha e tenho "out there". Um acontecimento da minha vida (que foi o culminar de muitos outros antes, em que tive, para me proteger, de cortar relações com um membro familiar próximo) engatilhou um lugar em mim que me diz: não estás segura se fores autêntica e te expuseres. Então, e para prevenir que algo se virasse contra mim, decidi suspender tudo. Mas guardei.

Agora, que já voltei ao meu estado mais estável, centrado e seguro, estava um dia a conduzir e veio esta voz: "volta a publicar tudo". E assim o fiz. 118 páginas de word. Perdi a maioria das imagens, formatações, datas (simplesmente coloquei tudo com a mesma data, whatever), comentários, visualizações e tags. Mas como este blog - embora tenha, claro, o objetivo que alguém o leia, pois caso contrário escreveria apenas para mim mesma - não tem o objetivo de ser muito visto ou ter muitos comentários ou ser esteticamente bonito, vale sim, mais, pelo conteúdo que aqui vou transbordando - decidi deixar ficar assim mesmo.

Enfim, depois desta fase conturbada, decidi voltar, sem, uma vez mais, me obrigar a qualquer tipo de "inspiração" ou "regularidade". I'm done with self-imposing, honestly.

Não me alongando (nem querendo, sinceramente) sobre as circunstâncias que me levaram a agir de modo impulsivo e ter retirado tudo o que aqui tinha - mas repetindo que veio de um lugar interno que eu tinha (e ainda tenho) de que ser vulnerável, honesta, transparente com o que sou, faço e acredito, é PERIGOSO, posso felizmente dizer que as circunstâncias que engatilharam esta situação se encontram sanadas. Como cresci com este padrão de que ser eu própria e expor-me tinha um preço emocional alto e não me conseguia defender disso, foi algo que tive de aprender com a vida adulta e sinto que estou a caminhar nessa direção. Amén!

2024 está a ser um ano de processar tudo o que se passou em 2023. Foi muita coisa. Foi muito intenso. Foram muitas mudanças. O que se viu no externo foi só uma fração do que se passou a nível interno. 2024 tem sido também ele cheio de experiências intensas, que me ajudam a integrar todo o "turmoil". Sim, porque eu sei que por fora pareço uma pessoa "with her shit together". Mas não sou e não tenho, mesmo. Por outro lado, o "getting shit together" é parte do que me motiva. Se me imaginar num dia em que tenho "all life put together and figured out", sinceramente, não acho piada nenhuma.

Mas sinto que 2024 está a ser, também, um período de preparar o terreno e deixá-lo fértil para plantar novas sementes. Sinto que no último ano e meio foi dedicado a "podar as plantas", cortar as ervas daninhas e limar algumas arestas para prosseguir com a realização de alguns objetivos de vida. 

Depois de um ano e meio (aliás, mais até) de trabalho interno, sinto que cheguei a um plateau em que preciso desintensificar um pouco disso. Há coisas e formas de pensar que já me auto-enjoam, sinceramente. E de cada vez que tenho aquele ciclo de pensamentos de "ah! observei este padrão em mim? de onde vem? isto é um problema? isto prejudica-me? como posso resolver?" já me corto logo ali. É uma auto-observação exagerada e todos os extremos são maus. Porque sim, se ter esta capacidade de auto-reflexão é boa e me ajuda a ultrapassar-me a mim própria, por outro lado, sinto que estagnei bastante nisso e de repente comecei a entrar num loop onde tudo era um problema, eu era um problema a ser resolvido e sinceramente: ESTOU EXAUSTA DISSO. Apesar disso continuo a sentir este "pull" irresistível, que acho que desde sempre senti, de descobrir mais sobre a natureza da realidade e do porquê de cá estar a viver esta vida (desde muito cedo me lembro de ter estas interrogações). De expandir a minha consciência, de estar em contacto com o meu lado woo-hoo, espiritual e intuitivo e essa coisa toda. De ler Jung sobre o inconsciente, Freud sobre os sonhos (e ficar um pouco na cama, de olhos fechados, depois do despertador tocar, a explorar as imagens e/ou temas que me apareceram nos sonhos dessa noite), Sri Ramana sobre quem somos na realidade (pura consciência), Bert Hellinger sobre as Constelações Familiares, ao Allan Watts, enfim, de tudo um pouco. Adoro visitar, através de leituras e podcasts, todo o tipo de escolas de pensamento, desde a ciência mais científica que mede tudo ao nanómetro, até ao espiritual mais etéreo. Gosto, ainda mais, de refletir e fazer ligações entre linhas de pensamento completamente opostas. Gosto, cada vez mais, de ler coisas que vão completamente fora ou contra tudo aquilo que eu já tinha explorado. Quase que gosto de ficar indignada com certas coisas que leio e de não concordar com elas. Sinto que isso me faz ultrapassar a minha própria rigidez mental. O simples fazer esforço para aceitar que há formas diferentes de ver o mundo, mesmo que discorde completamente delas, é um bom exercicio que impede que o nosso cérebro definhe.

E o que gosto nisso é simplesmente do saber pelo saber, sem ter aquela sede toda que antes tinha de, de algum modo, aplicar o conhecimento. Rapidamente percebi que isso era impossível. Estava muito presa e ficava muito ansiosa com aquela coisa de "não vale de nada ler se não aplicares". Acho que o que me deixava cansada era eu tentar aplicar tudo o que aprendia. Era overwhelming!!! Agora, já não penso assim. Agora, sim, leio só por ler, gosto de saber das coisas só por saber, e gosto ainda mais de tudo aquilo que ainda não sei. Os 99% que ainda não sei, perante o 1% que sei, é o que me fascina. it's a way of life.

Ainda este ano experimentei mais alguns tipos de psicoterapias não convencionais, a maioria por curiosidade, e agora sinto-me meio cansada disto. Estou a sentir necessidade de dar passos em frente e não ficar estagnada nesta coisa de entender a mente, o espírito, a consciência e descobrir tudo o que está no inconsciente, ou lá como lhe queiram chamar.

Esta motivação levou-me a definir ações menos etéreas e mais concretas dos passos a tomar a seguir. E, portanto, está a ser um ano de passar para o next level. Novos projetos, novos sonhos, novos objetivos. Muito action-oriented.

No geral, tenho este ótimo feeling de contentamento com a minha vida agora. Sinto que resolvi tantos assuntos pendentes, que "podei tantas árvores", sinto-me tão mais centrada e regulada na maior parte do tempo do que, acho, alguma vez antes. A vida corre-me bem a todos os niveís: familiar, maternidade, trabalho (adoro o meu trabalho e adoro as minhas rotinas!), saúde (aqui ainda algumas coisas a melhorar, mas destaco o facto de ter encontrado rotinas de exercício físico que se encaixam com os meus gostos, necessidades físicas e agenda), amizades, vida social, e por último mas de todo não menos importante, tempo para mim, tempo para estar sozinha, comigo mesma e apreciar cada momento desses. Não alteraria nada de drástico neste momento. É muito bom ter este sentimento interno de contentamento! Todos os dias encontro pequenos glimmers de prazer que me fazem adorar cada vez mais o simples estar viva; o simples acordar com energia todas as manhãs, aquele primeiro gole de café, o ir acordar a Lia com imensos mimos e abraços e músicas e cantar, o conduzir com música em altos berros e ter este sentimento de que a vida não passa de um enorme jogo que adoro jogar, o sol na cara logo pela manhã, as rotinas do dia a dia, enfim, tudo! Apreciar cada momento apenas pelo que ele é, incluíndo os maus!

Estou numa fase em que simplesmente me sinto mesmo bem comigo mesma a todos os níveis e não mudaria grande coisa agora. Sinto-me pronta para "atacar" aqueles objetivos que tinha definido para o início de 2023 e ainda que com mais de um ano de atraso, sinto que precisava primeiro passar por alguns processos para agora SER a pessoa que está pronta para retomar tudo isso. Estou num lugar de aceitação tão yummy e com uma noção profunda e enraízada de que tudo o que escrevo hoje apenas tem validade hoje, pois não somos uma entidade fixa, mas sim um processo. Tudo é um processo.


Long-story short


118 páginas de word depois, voltei ao blog, voltei a pôr tudo o que tinha posto antes, sem medo da vulnerabilidade que está nesse material. Estou mais evoluída, mais arrogante e mais com a mania porque sinto que vi vários tipos de luzes 😂. Estou, também, muito mais consciente dos meus shortcomings e estou bem com eles. Estou bem comigo. Sou um trabalho em progresso e não quero deixar de ser. Sinto-me previlegiada por poder dar-me ao luxo de pensar em questões de auto-realização porque isso significa que as minhas necessidades básicas estão asseguradas. Já estive mais "etérea"  do que estou agora, já desci bastante mais à terra e sinto que estou mais orientada à ação prática e concreta. Decidi fazer uma pausa nos retiros e nas terapias e nas expansões porque estou um pouco exausta disso, mas ainda bem que passei por essas experiências, precisava e fizeram-me melhor que bem. Foram as melhores decisões que tomei por mim mesma. Espero voltar cá com regularidade, mas não me vou forçar a nada.

E é isto, byyyeeee!

segunda-feira, 8 de março de 2021

Fazer fretes

   

    Sabem quando somos crianças e temos de fazer coisas que detestamos e estar com pessoas que nada nos dizem em ambientes que não nos fazem sentir bem? Tipo aqueles encontros e convívios com os amigos dos nossos pais ou com familiares muito afastados, e estamos lá porque os nossos pais decidiram que tinha de ser e portanto lá tínhamos que fazer o frete.

    Aquelas horas que hoje em dia parecem minutos quando passamos com pessoas que adoramos, naquela altura, para nós, parecem dias a passar. As conversas de adultos não nos interessam minimamente, e muitas vezes recambiavam-nos para brincar com as outras crianças ou jovens, num convívio, no mínimo, forçado.

    Quem nunca??! Pelo menos, isto aconteceu muito comigo, na infância e adolescência. E pensava sempre que quando tivesse poder de decisão, não ia mais fazer fretes! Ia decidir como passar o meu tempo, que era precioso, e só estar com quem me apetecia. Só ia fazer o que me apetecesse!

Na realidade, ainda hoje tenho esse sonho bastante infantil: queria viver uma vida em que só fizesse aquilo que me apetecesse! Para mim, essa é uma visão realista da verdadeira felicidade.

Bom, quando chegamos a adultos, e achamos que "agora posso fazer tudo o que quero!", percebemos que era tudo mentira! Não temos os pais que nos obrigam, mas temos a sociedade. Temos as obrigações. Temos de fazer coisas porque tem de ser, não porque verdadeiramente queremos. Well, it's adult life, deal with it!

    Isso até é suportável, acabamos por aceitar que afinal ser criança é que era fixe e que agora, olha, todos os dias lá temos que fazer algo que não nos apetece  nada, por virtude do trabalho ou das obrigações do dia a dia. Mas fretes? Ah, fretes não!!! Fretes do tipo obrigar-nos a estar com alguém que não nos apetece só porque tem de ser? Uma coisa é em contexto de trabalho, em que, oh well, temos de conviver com as pessoas, quer gostemos delas, quer não. Mas não temos de ser amigas dessas pessoas. Agora, convívios sociais só porque sim?

    Bom, a verdade é que antes de chegar a esse ponto, há uma fase - para mim, foi de anos! - de transição, em que já não nos obrigam a estar com ninguém, mas de algum modo continuamos a forçar-nos a nós mesmos porque "parece bem". Não tem de ser, mas parece bem, ou pareceria mal se não participássemos dessa atividade social.

    E a verdade é que eu tive uma fase bem prolongada dessas, porque eu sou introvertida - sei ser extrovertida e sociável, mas o meu modo mais natural é introvert -, porque adoro passar tempo sozinha, comigo mesma, e desgasta-me completamente ter de lidar com muitas pessoas durante muito tempo ou com muita frequência. Não suporto, por isso, convívios forçados.

    Lembro-me perfeitamente bem de uma altura em que não gostava de sair à noite, mas forçava-me a sair, e sentia-me ofendida se me chamavam de anti-social. E saía, e bebia, e até me divertia, não digo que não, que tive momentos fantásticos! Mas não era o meu modo de vida, não era a minha maneira de ser, nem era o meu objetivo em que tinha de sair todos os fins-de-semana só porque era cool e trendy, e se não fosse, seria uma outsider. E custava-me a admitir isso, e custava-me ouvir quando os meus amigos me diziam que eu era uma seca só porque não queria ir sair à noite, outra vez naquele mês. Ou sexta e sábado seguidos. Sentia vergonha de admitir que não queria! Mas, felizmente, consegui libertar-me dessa vergonha.

    E é, também, muito disto que eu quero dizer quando falo em ser mais livre, em ser Livre Como Eu. É o ser livre dessas vergonhas, de ser algo e de viver de acordo com aquilo que somos, sem ter medo do que os outros vão pensar ou interiorizar que isso é uma forma errada ou "menos fixe" de ser. Não há formas erradas, há a nossa forma! And I've come a long way on this, porque há poucos anos atrás eu nunca admitira isto.

    Mas afinal, se quando somos crianças, desejamos ser adultos para podermos tomar a decisão de ocuparmos o nosso tempo como queremos, fazer o que não nos apetece, não fazer o que nos apetece e não fazer fretes... Se, nessas idades, achamos que isso é um luxo, porque raio chegamos à idade adulta e continuamos a viver sob este mote? A obrigar-nos constantemente a fazer coisas que não queremos, ir a sítios que não nos apetece, fazer coisas que não nos dizem nada, e estar com pessoas só porque é mais fixe ser extrovertido. Para nos exibirmos. Para publicarmos fotos no Instagram.

Porque fazemos isso a nós mesmos, quando temos o poder, a capacidade e a liberdade de escolha para dizer "não" a absolutamente tudo aquilo que não nos faz sentido? O que diria essa criança se nos visse a desperdiçar o tempo com isso?!

Hoje em dia, tenho muito mais confiança para dizer "não". "Não quero", "não vou", e uma frase que eu gosto de usar muito: "não é a minha cena".

E não é esta, também, uma forma de ser livre??!!! 😉😉😉

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Livre como Eu

 Houve poucas ocasiões na vida em que pensei "hoje nasce uma nova Cláudia". Tive uma dessas ocasiões esta semana. Foi um dia normal no qual materializei uma decisão que vinha a matutar (ou maturar) há muito, foi o primeiro passo de (mais) uma mudança na minha vida. Foi uma decisão completamente banal, ainda que bastante ponderada, tomada por milhões de pessoas todos os dias à volta do mundo. Mas para mim requereu grande coragem. 

    E foi um dos momentos em que voltei a pensar para mim mesma "hoje nasce uma nova Cláudia". Afinal, nem todos os momentos transformativos da nossa vida têm de se dar em contextos "wow", como quando ouvimos pela primeira aquela música que fica a ser uma das nossas favoritas, quando estamos a dançar de braços abertos numa discoteca sob o efeito de substâncias psicoativas, quando nos apercebemos da beleza real das mais pequenas coisas quando num momento de pura contemplação olhamos o que nos rodeia e começos a olhá-las com outras lentes, quando nos apaixonamos pela primeira vez, quando damos o nosso primeiro beijo, quando temos o primeiro orgasmo, ou seguramos uma bebé recém-nascida e pensamos como é possível tamanha perfeição nos nossos braços, quando olhamos no olhar de alguém e vemos lá o nosso mundo, enfim, em momentos de realização, eureka, das coisas mais elementares da vida, do quão ela é grandiosa e efémera ao mesmo tempo, de como ela se resume àquele sentimento. Intenso, sempre.

    Não, nem todos os momentos transformativos se dão nesses contextos nem com essa intensidade. Há alguns que se dão mesmo em momentos quase banais. 

    A minha intenção para este ano surge agora no final do segundo mês e é expressar mais a minha essência de liberdade.

    Quero ser livre das imposições que coloco a mim mesma. Quero tornar-me mais livre dos meus próprios preconceitos. Quero tornar-me mais livre das expectativas, minhas e dos outros. Mais livre da necessidade de validação dos meus sentimentos, desejos e decisões. Mais livre da obrigatoriedade de "ter de ser social", "ter de lidar com mais pessoas", "sair do meu casulo". (e se eu não quiser sair desse casulo? E se eu apreciar momentos mais reservados, mais virados para mim mesma, em que não quero ter de lidar com absolutamente ninguém fora do meu núcleo mais próximo? E então se esse modo de vida não encaixa comigo, não funciona?). Mais livre dos "e vão pensar que", "e vão dizer". Mais livre dos outros. 

    Mais livre das minhas próprias concepções do "devo ser assim", "devo fazer isto", "não devo fazer aquilo". Mais livre dos "deves" e "não deves!" 

    Mais livre da ideia de que viver permanentemente fora da zona de conforto para crescer, é bom. (é bom sim, mas há uma altura em que sabe - e faz! - virar as costas a esse desconforto constante que se torna mais prejudicial do que benéfico).

    Mais livre das correntes que amarro a mim mesma quando me obrigo a fazer algo que contraria a minha essência. E insisto e insisto e estico a corda até mais não, sob o mote de "ter espírito de sacrifício", "não posso desistir", "fica mal se", "já tenho idade para". Pensar um pouco menos nas consequências de todos os meus passos e ações, agir como o meu espírito "manda" mesmo que seja o oposto ao que o racional "manda". Ouvir o meu sexto sentido, sempre. Não resistir tanto a obececê-lo.

    Livrar-me da necessidade constante de ter tudo sob controlo. Deixar que as coisas fiquem mesmo fora de controlo! Abraçar o descontrolo.

    Enfim, mais livre de todos esses pensamentos que me retraem, me prejudicam e impedem de viver a vida como eu acho que ela tem de ser vivida, no meu íntimo - aquele íntimo mesmo que temos dificuldade em escutar devido a todo o ruído que a nossa da cabeça faz. Viver a vida só faz sentido se for com propósito, com sentido, com significado. Em todas as esferas da vida. E quando assim não é, tudo o resto é só mesmo e nada mais que ruído. Chega a um ponto em que nada acrescenta.

    E foi assim que, num dia desta semana, um dia banal, um passo foi dado neste sentido. E quando regressava a casa, tive um desses poucos momentos, "hoje nasceu uma nova Cláudia. Mais livre".

    Gosto de falar de mim, mas nem sempre consegui encontrar as palavras certas ou algo em particular que me descreva. Soava tudo a coisas muito clichés e eu gosto de coisas bonitas e não clichés! 😂
    Mas uma coisa eu sei, é como se fosse um mantra para mim: não vivo bem se não viver de acordo com aquilo a que chamo de "minhas verdades", a cada instante. Não é uma missão de vida ou um propósito, é apenas a minha essência e aquilo que eu sinto que se alinha comigo. É fazer aquilo que eu sinto como verdade, a cada dado instante, aquilo que eu avalio que faz sentido, e que pode mudar, independentemente de todo aquele ruído, conceitos e preconceitos, pessoas, influências externas, e tudo o mais. E fazer isso é sem dúvida uma coisa mais difícil do que aquilo que parece! Tantas e tantas vezes contrariei isso, insistindo em coisas, pessoas, situações, lugares, profissões, meios, modos de vida que chocavam com aquilo que é a minha essência, levando-me a nada mais que um limite em que já nem me conhecia a mim mesma, em que de certa forma estava a ser desleal comigo mesma, e tive de me libertar disso. (Talvez isto soe demasiado esotérico, mas lá está, é daquelas coisas que me faz sentido e que nem sempre consigo transpor em palavras.) Sempre com aquela dose de idealismo com a qual fui dotada e que me permite acreditar que podemos, sim, viver uma vida plena, satisfatória, feliz, sem que sejamos vítimas das nossas próprias falhas, falácias, limitações, e entregues ao que não nos cai bem só porque assim tem de ser. Há alternativa. Há sempre alternativa.

    Neste espaço, irei partilhar tudo o que me aprouver. Tudo o que tiver a ver comigo, com a minha vida e sobretudo com, lá está, as tais minhas verdades. Nem sempre vão ser textos bonitos. Às vezes podem ser imagens, música, uma frase apenas, coisas random do dia a dia porque as coisas random e banais também são importantes. Sei que a Cláudia do futuro, espero eu, um pouco mais liberta ainda do que é hoje, irá agradecer (como hoje em dia agradeço quando me ponho a ler os milhentas textos que fiz nas dezenas de blogues que já tive - e que depois fui abandonando e substituindo por outros, sempre que mudava de pele, em fases disruptivas de "agora nasce uma nova Cláudia, isto já não me serve, isto já não encaixa, vou viver a minha nova pele"). 

Aqui serei mais livre. 
Livre como Eu!